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sábado, 10 de outubro de 2015

A Primeira Classe está acabando?

Não é de hoje que as companhias aéreas vêm reduzindo o número de assentos na Primeira Classe (First Class). Em 1955, quando a Varig recebeu o seu primeiro Lockheed Super G Constellation, a maioria dos assentos eram de Primeira Classe: 38 assentos contra apenas 15 assentos na classe econômica (na época mais conhecida como Classe Turística).
Primeira Classe no Super G Constellation da Varig
Naquela época viajar de avião era privilégio de um grupo muito seleto de pessoas. Muito lentamente, os preços das passagens aéreas foram diminuindo e cada vez mais pessoas começaram a viajar de avião. A Primeira Classe foi ficando cada vez menor e a Classe Econômica cada vez maior.
O primeiro grande impulso para o declínio dos preços foi a desregulamentação do setor, que permitiu o aumento da concorrência. Nos EUA a desregulamentação chegou na década de 70, mas no Brasil apenas nos anos 90.
Nos anos 80 a Classe Executiva chegou no Brasil. Uma classe intermediária entre a Primeira Classe e a Classe Econômica, criada no final dos anos 70. Na época os Douglas DC-10-30 da Varig foram reconfigurados, diminuindo de 30 para 20 o número de assentos na Primeira Classe quando ganharam 35 assentos de Classe Executiva.
Primeira Classe no DC-10 da Varig
Porém foi na década de 90 e inicio dos anos 2000 que a Primeira Classe começou a sumir. Os wide-body (aeronaves de fuselagem larga), que antes tinham 20 assentos na Primeira Classe, passaram a ter 18, depois 12, 8, 6, 4 e até mesmo 0. Mas por que as companhias aéreas estão acabando com a Primeira Classe?

Poucos passageiros realmente pagam para voar na Primeira Classe.
Hoje em dia, o orçamentos de viagens corporativas cada vez mais apertado. De acordo com a consultoria Advito, menos de 20% de seus clientes permitem que os funcionários voem de Primeira Classe em voos de longo curso, enquanto que cerca de 75% autorizam viagens de Classe Executiva.
A maioria dos passageiros que voam na Primeira Classe usam as milhas dos programas de milhagem para fazer um up-grade, depois de comprarem uma passagem para a Classe Executiva. Apenas um quarto dos passageiros de Primeira Classe pagam a tarifa cheia, de acordo com a Atmosphere Research Group.

Primeira Classe? Não, é a Classe Executiva da Singapore
A diferença entre a Primeira Classe e a Classe Executiva nunca foi tão pequena.
Nos últimos anos, as companhias aéreas vêm melhorando cada vez mais os serviços da Classe Executiva, que hoje em dia é muito melhor do que a Primeira Classe oferecida nos anos 90, por exemplo. Assentos que reclinam 180º, menu de um chef celebridade e atendimento personalizado, eram coisas que só existiam na Primeira Classe e agora são padrão na Classe Executiva. Com o upgrade da Classe Executiva atual, há pouca diferença de qualidade entre a Primeira Classe e Classe Executiva, apesar da grande diferença de preço. Tarifas de Primeira Classe podem custar cerca de dois terços a mais do que as da Classe Executiva, de acordo com a Harrell Associates.

Primeira Classe na Tam (2012)
Primeira Classe pelo mundo.
Nos EUA a Primeira Classe corre grande risco de extinção. A Delta abandonou a Primeira Classe em troca de uma Classe Executiva melhorada. A American Airlines planeja reduzir a oferta de assentos na Primeira Classe em 90%. E a United pretende reduzir em 1/3 a oferta de assentos na Primeira Classe.
Na Europa, a Primeira Classe é um pouco mais presente. As companhias aéreas europeias parecem ter mais condição de competir com o luxo das companhias aéreas do Oriente Médio, por oferecerem serviços premium de melhor qualidade do que as americanas. Porém muitas companhias europeias também abandonaram a Primeira Classe, que só é encontrada agora nas companhias aéreas dos países mais ricos como Lufthansa, Air France, British Airways e Swiss. Mesmo assim, todas essas companhias reduziram a quantidade de assentos na Primeira Classe nos últimos anos.
A Ásia é a região do planeta onde as companhias aéreas têm tido mais resistência em reduzir Primeira Classe, porém as companhias tradicionais como a JAL, tem uma oferta bem limitada de assentos nessa categoria.
Na África e América Latina a Primeira Classe já é coisa do passado. A última grande empresa da América Latina que ainda oferecia Primeira Classe era a Tam, que acabou com o serviço em novembro do ano passado.

Mini-apartamento na Etihad
As grandes companhias aéreas do Oriente Médio estão monopolizando a Primeira Classe.
Se no resto do mundo a Primeira Classe está sumindo, no Oriente Médio ela está mais viva do que nunca. Nos anos 2000 um novo grupo de companhias aéreas começou a apostar no luxo e mimos para os passageiros. Companhias aéreas até então pouco conhecidas como Singapore e Emirates começaram a despontar como melhores companhias aéreas do mundo, oferecendo serviços superiores às até então "top de linha" americanas, europeias e JAL. Muitas outras companhias do Oriente Médio e sudeste asiático copiaram esse modelo e se proliferaram como Asiana e Qatar. A Ethiad até inventou um novo tipo de Primeira Classe, ao invés de apenas um assento, oferece suítes e mini-apartamentos a bordo.
No entanto o reinado da Primeira Classe no Oriente Médio pode estar ameaçado. A Emirates está estudando a retirada da Primeira Classe de alguns de seus A380, a aeronave com apenas Classe Executiva e Classe Econômica deverá ter nada menos que 615 assentos!

A popularização da Classe Econômica Premium.
Assim como a Classe Executiva foi criada pensando-se numa classe intermediária entre a Primeira Classe e a Classe Econômica, a Classe Econômica Premium é uma classe entre a Classe Executiva e a Classe Econômica. Com o mercado de aviação cada vez mais popular, as companhias aéreas têm migrado para um modelo mais adequado a nova realidade: sem Primeira Classe e com Classe Executiva, Classe Econômica Premium e Classe Econômica.
Mesmo que tenham o mesmo nome, a Classe Econômica Premium é bem diferente, dependendo da companhia aérea. Algumas empresas simplesmente usam essa classe para oferecer assentos com maior espaço entre as fileiras, com o assento do meio bloqueado ou os assentos localizados nas saídas de emergência ou primeira fileira (com mais espaço). Porém outras oferecem assentos maiores, mais equipados e serviços de melhor qualidade. Com a Classe Econômica ficando cada vez mais apertada e com serviços mais "econômicos", fica a dúvida se a Classe Econômica Premium é realmente uma novidade. Talvez ela seja a Classe Econômica de antigamente, enquanto a Classe Econômica atual é que é o inédito: assentos mais finos do que nunca e mais assentos por fileira.

Primeira Classe só no nome.
As grandes companhias aéreas norte-americanas continuam a oferecer um serviço chamado de "Primeira Classe" em rotas curtas, mas na verdade são o que antigamente se chamava de Classe Executiva para voos de curta distância.

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