quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Nostalgia: Companhias Estrangeiras no Brasil

Recentemente aumentamos o acervo da seção "Nostalgia" e "Propagandas" no Aviacaocomercial.net. Com mais reportagens e propagandas, podemos desvendar e entender o passado e como chegamos até os dias de hoje. Um exemplo disso são as reportagens e propagandas das companhias estrangeiras que voavam para o Brasil, agora mais presentes na seção "Nostalgia".

Propagandas da Air France e da Panair - Anos 30

A Air France foi uma das primeiras companhias estrangeiras a voar para o Brasil. Na verdade a companhia já nasceu voando para o Brasil, pois foi criada a partir da fusão de companhias aéreas já existentes e nasceu com uma frota de mais de duzentas aeronaves. Nos anos 30 um voo entre São Paulo e Paris (ou "Pariz" como se escrevia na época), durava 63 horas! O voo fazia escala em várias cidades na costa brasileira e depois na costa africana, até finalmente chegar na Europa. Porém esses voos levavam apenas carga e foram interrompidos devido a Segunda Guerra Mundial. Em junho de 1946 os voos para o Brasil foram retomados. A rota era operada com o Douglas DC-4, substituído em 1948 pelo Super Constellation e em 1953 pelo Super G Constellation. Em 1959 o primeiro jato, Boeing 707 passou a operar na rota para o Brasil e diminuiu o tempo de viagem para 13 horas. Nos anos 70 a Air France trouxe o Boeing 747 e o Concorde. O Brasil passou a ser um dos poucos países servidos por uma linha regular com o Concorde a partir de janeiro de 1976. O voo até a Europa durava apenas 6 horas e meia, mesmo com uma escala em Dakar. Em 1993 o Airbus A340 começou a operar na rota para o Brasil, seguido do Boeing 777, em junho de 1998.

Além da Air France, outras companhias europeias pioneiras que voavam para o Brasil nos anos 50 incluíam Alitalia, Iberia, KLM, Lufthansa, Swissair e SAS

 

Até o anos 90 era possível ir para a América do Norte ou para Europa de Aerolineas Argentinas ou Lan Chile a partir do Rio ou de São Paulo sem escalas. Isso era possível porque o Brasil era a base dos voos de longa distância para essas companhias, devido, entre outros, a limitação do alcance das aeronaves. A Aerolineas Argentinas utilizava suas maiores aeronaves nos voos Buenos Aires - São Paulo/Rio, que prosseguiam para vários destinos na América do Norte e Europa, incluindo Madrid, Paris, Londres, Zurich, Roma, Toronto, Miami e Nova York. 

As companhias aéreas da Europa por sua vez, não tinham autonomia para chegar direto no Brasil e não tinham demanda suficiente para voar para outros países da América do Sul em voos separados. Sendo assim praticamente todas as companhias europeias usavam o Brasil como base para outros destinos na América do Sul. Os voos pousavam no Rio de Janeiro e/ou São Paulo e prosseguiam para Montevidéu, Buenos Aires e Santiago, principalmente, da mesma forma que companhias aéreas como Emirates e Qatar faziam recentemente. Até o advento de aeronaves com maior alcance, como o DC-8-62 e Boeing 747, os voos para Europa precisavam fazer escalas. Os destinos mais comuns eram Dakar e Casablanca, na África, Lisboa, na Europa, e Recife, no Brasil.

Os voos para os EUA também tinham suas escalas, apesar de ser mais perto que a Europa. Os primeiros voos, nos anos 30, operados com o Sikorsky S-42B, faziam diversas escalas ao longo da costa, pois o alcance era limitado. Com o desenvolvimento de novas aeronaves, com alcance maior, o número de escalas foi diminuindo até finalmente se chegar aos voos sem escalas entre Rio de Janeiro e Nova York, lançados pela Pan Am e pela Varig no inicio dos anos 60. Mesmo assim os voos com várias escalas continuaram até os anos 70, como por exemplo o voo 515 da Pan Am em 1974: São Francisco - Los Angeles - Guayaquil - Panamá - Brasília - São Paulo - Rio de Janeiro. 



Outra curiosidade são os voos internacionais partindo do Aeroporto de Congonhas. Nos anos 50 o aeroporto tinha voos internacionais de companhias estrangeiras com o DC-6DC-7 e Constellation. Com a chegada dos jatos, no final dos ano 50, o Aeroporto de Congonhas simplesmente era pequeno demais para recebê-los. As alternativas das companhias aéreas na época eram pousar no Galeão ou em Viracopos. Mesmo assim o Aeroporto de Congonhas chegou a receber alguns jatos como por exemplo os Comet 4 da Aerolineas Argentinas, Convair 990 da Varig e os Caravelle. Outro jato notável em Congonhas foi o Airbus A300 da Vasp, CruzeiroVarig.

 



Veja mais reportagens e propagandas nas seções "Nostalgia" e "Propagandas". 

Outros posts de Nostalgia:

Nostalgia 1: DC-10 e B787 a história se repete

Nostalgia 2: E se a Varig não tivesse crise financeira?

Nostalgia 3: Panair com Concorde? Em algum momento isso foi verdade

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